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Eu faço
Como virginiano sou muito exigente em tudo o que faço e com o próprio meio em que vivo. Não gosto que me peçam, mas adoro que demonstrem, sem pedir, o que querem, o que precisam. Desta forma eu consigo ajudar, desde que eu perceba a necessidade do pedido. Não estou dizendo que se receber uma ordem do meu superior deixarei de cumpri-la; não é neste sentido que não gosto que me peçam as coisas. Por exemplo, estou namorando e ela pede para ganhar um presente. Vai ser difícil eu dá-lo; entendeu? Mas voltando ao título “eu faço”, minha intenção é repudiar àquelas pessoas que devem fazer um determinado serviço e quando não o fazem, ao serem abordadas, ficam bravas e reclamam. E está cheio destas pessoas ao nosso redor. São pessoas que estão trabalhando pelo dinheiro e não pelo prazer; não gostam do que fazem. Somente gostam do salário, do ambiente e das vantagens que ganham. Levo muito tempo para conquistar determinado cliente e quando consigo, o setor de cadastro exige muito para que isto seja feito; consigo fazer o que é pedido e mesmo assim o cliente não aparece no sistema. Quando aparece, digito o pedido e o mesmo fica bloqueado por não ter limite de crédito. Imediatamente comunico ao responsável, cobrando-o a liberação do pedido já que, ao cadastrá-lo, todas as exigências foram cumpridas. Este, mesmo sabendo que tinha de ter liberado o pedido, envia correspondência e ficando bravo pela minha insistência. Dá para ser feliz? O mesmo seria ao comprar uma entrada para um show, com antecedência, com reserva de lugar e no dia do espetáculo, ter de implorar para poder sentar no lugar que foi programado? Onde estão as pessoas que fazem acontecer? Onde está a responsabilidade por aquilo que são pagas para fazer? Muitos estão pensando que eu posso ter esquecido o “por favor” ou ter sido rude no pedir, mas onde está a contrapartida? Se cumpro todas as exigências, por que o pedido fica bloqueado, esperando que alguém avise? Se compro um lugar, por que tenho de implorar para usá-lo? O mercado está reagindo porque os brasileiros querem crescer, apesar de haver milhões que esperam ele quebrar para poder receber, sem trabalhar, as diversas bolsas que foram inventadas nos últimos sete anos. A teoria mais simples em economia é que dando a alguém, outrem deverá pagar. Em se pagando, onde está retorno? “Eu faço” deveria ser cadeira obrigatória nas escolas, nas faculdades; as pessoas devem ter consciência que se são pagas, o serviço deve ser feito; aliás, bem feito. Dias desde fui com amigos tomar um sorvete no centro de São Leopoldo; sábado, 23h, não tinha fila e ao pedir para ser atendido, a balconista mandou eu pedir para outra pessoa. A vontade que tive nem vou escrever aqui, mas com certeza naquela sorveteria, em prédio de esquina, não tem todas as pessoas comprometidas com “eu faço”.
Artigo publicado em: 05/02/2010
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